O Piauí teve, em 2024, o pior índice do Brasil de mortes de motociclistas. Dados do Atlas da Violência 2026, divulgados nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostram que motos responderam por 72,7% das mortes no trânsito no estado.
O percentual é o mais alto do país e supera a média nacional de 41,6%. Segundo o estudo, o aumento do uso de motocicletas por pessoas de baixa renda e a expansão de entregas por aplicativos ajudam a explicar o cenário.
Ao todo, o estado registrou 1.162 mortes no trânsito em 2024. A taxa é de 34,4 mortes a cada 100 mil habitantes.
Segundo os pesquisadores, estados do Norte e Nordeste enfrentam mais dificuldades para investir em infraestrutura e gestão do trânsito. Além disso, a retomada da economia após a pandemia aumentou a circulação de pessoas e mercadorias, o que contribuiu para mais mortes.
Além do trânsito, a violência também cresceu no estado. Entre 2019 e 2024, a taxa de homicídios aumentou 20,5% no Piauí.
Em 2024, foram registrados 697 assassinatos no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Com a inclusão dos chamados homicídios ocultos — quando a causa da morte não é identificada de imediato — o total estimado chega a 721.
As duas maiores cidades concentram os maiores índices. Em Teresina, foram 285 mortes estimadas em 2024, com taxa de 31,6 por 100 mil habitantes. Em Parnaíba, houve 54 assassinatos, com taxa de 31,8.
O Atlas também aponta aumento na violência contra a mulher. Em 2024, 72 mulheres foram assassinadas no Piauí, alta de 53,2% em relação a 2019.
A desigualdade racial também preocupa. Uma pessoa negra tem 2,5 vezes mais chance de ser vítima de homicídio no Piauí do que uma não negra. Em 2024, 614 pessoas negras foram assassinadas.
Outros dados do relatório