
A Polícia Civil do Piauí detalhou, nesta terça-feira (25), a Operação Compra Fantasma, que investiga um grupo suspeito de aplicar golpes contra pessoas que anunciavam produtos à venda na internet. Em Teresina, uma mulher identificada como Geyse Vitória foi presa durante a ação. O principal suspeito de liderar o esquema, identificado como André, é procurado pela polícia em São Paulo.
Segundo o delegado Humberto Mácola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Geyse seria responsável por receber, em Teresina, produtos obtidos por meio dos golpes e encaminhá-los para integrantes da organização em São Paulo.
“Essa nacional era responsável por pegar, capturar, cooptar esses produtos que eram adquiridos através dos golpes e repassar para a organização em São Paulo", explicou o delegado.
Como funcionava o golpe

De acordo com o delegado, os criminosos procuravam anúncios de produtos em plataformas de comércio eletrônico e se passavam por compradores. Depois, enviavam um e-mail falso ao vendedor para informar que a compra havia sido concluída.
O grupo alegava que o dinheiro seria depositado somente após a entrega do produto. Com isso, um motorista de aplicativo era acionado para buscar a mercadoria.
Segundo a investigação, em Teresina, os produtos eram deixados em um terreno baldio, onde Geyse os recolhia e posteriormente os encaminhava para os integrantes do grupo em São Paulo.
“A organização em São Paulo simulava uma compra, uma pessoa anunciava um produto nos e-commerce, o grupo criminoso de São Paulo enviava um e-mail falso dizendo que a compra havia sido efetivada, que o valor só iria cair na conta da vítima quando o produto fosse entregue e, através de motoristas de aplicativo, o criminoso lá de São Paulo mandava esse produto para um terreno baldio, onde a Geyse Vitória pegava esses produtos e repassava para a equipe de São Paulo, que era dos criminosos", destacou Mácola.
Os produtos eram principalmente notebooks, celulares e outros aparelhos eletrônicos, que, segundo a polícia, eram levados para São Paulo e revendidos.
O prejuízo estimado pela investigação é de aproximadamente R$ 500 mil. Somente no Piauí, pelo menos 110 vítimas foram identificadas.
Ainda conforme o delegado, o grupo teria solicitado 319 corridas de motoristas de aplicativo em Teresina, das quais 110 foram concluídas.
Líder do grupo é procurado
O homem apontado como líder da organização, identificado como André, é procurado pela Polícia Civil. Segundo Humberto Mácola, ele mantinha colaboradores em diferentes estados para executar o esquema.
“O André está sendo procurado, ele é o líder da organização na questão da compra fantasma, ele tinha colaboradores no Brasil todo, vítimas no Brasil todo e, através desses colaboradores, ele conseguia pegar esses produtos, que sempre eram ou notebooks, celulares, aparelhos eletrônicos, que todos eram desovados lá em São Paulo, para serem revendidos naquela localidade", destacou.
A polícia afirma que, até o momento, não há indícios de participação de motoristas de aplicativo no esquema. No entanto, a investigação ainda não foi concluída.
O delegado também fez um alerta aos profissionais que realizam esse tipo de transporte.
“A Operação Compra Fantasma tem um prejuízo aproximado de R$ 500 mil, temos várias vítimas no Piauí, pelo menos 110 vítimas no Piauí, o grupo criminoso de São Paulo solicitou aqui em Teresina pelo menos 319 corridas desses motoristas de aplicativo, sendo que 110 foram concluídas, então os motoristas de aplicativo precisam tomar cuidado para, quando vão buscar esses aparelhos eletrônicos, onde eles vão entregar, porque podem, eventualmente, ser inseridos nessa investigação", pontuou.
Conversas mostram funcionamento do esquema
Durante a operação, a Polícia Civil também divulgou imagens de conversas entre Geyse Vitória e André, apontado como líder do grupo. (Confira os prints ao final da reportagem).
Segundo o delegado, as mensagens mostram orientações sobre o funcionamento do esquema e a destinação dos produtos. Geyse receberia 30% do valor obtido com a revenda das mercadorias, enquanto 70% ficariam com a organização.
“Ali é o líder da Compra Fantasma, da organização, o André, conversando com a Geyse Vitória, informando como é que funcionava, como uma empresa. Os colaboradores, criminosos, eles eram cooptados no Brasil todo e, nos prints da conversa, ele explicava como é que funcionava toda a engenharia da empresa, cobrava empenho. Quanto mais ela conseguisse, mais ela ganhava. Ela ganhava 30% de todo o material que era revendido e a organização criminosa ficava com 70%", finalizou o delegado.
As investigações continuam para localizar o suspeito apontado como líder e identificar outros possíveis integrantes do grupo.