O eleitor, o palhaço e a urna
Tenho reparado muito o que tem se tornado o mundo político no Brasil, no tocante ao período de eleições. Em anos anteriores, precisávamos nos preocupar com direita, centro e esquerda. O foco da percepção mudou.
Abro uma rede social e vejo a propaganda de um palhaço, a caráter, no corpo a corpo pedindo ao povo a chance do seu quinto mandato de deputado federal. Rolo mais um pouco a tela e vejo uma moça, que outrora se apresentava como cantora, engasgada com as palavras que alguém por trás das câmeras segurava para que ela pudesse lê o que se pode destacar: “ajudar a minha família”. Desço um pouco mais a tela e vejo um outro cidadão que ficou conhecido por uma música sem qualquer tom poético que falava da cor de uma caneta, também se colocando à disposição do escrutínio público. E o que choca mais ainda é o dito cujo afirmar numa entrevista que não sabe o papel de uma determinada esfera de poder existente no país.
O requisito para disputar o cargo que vai decidir a vida do povo brasileiro não tem requisito mínimo. Tem palhaço e analfabetos funcionais buscando meio fácil de subir na vida e melhorar a vida da família, deles. E isso incrivelmente mostra o abismo existente entre a disputa entre cargo políticos e concursos públicos. Se colocar uma questão de lógica para esse povo responder, eles conseguirão?
Tem horas que até o próprio eleitor tem culpa da calamidade que vive. Vota por que acha a moça do chinelo coitadinha, por que a piada antiga do palhaço lhe faz rir e também por que gosta da música da caneta.
É por isso que o cidadão deve, antes de tudo, exercer o pensamento crítico, avaliar bem e escolher o ruim dentre os piores, que juntos irão ditar a qualidade de vida, de trabalho, saúde e a educação nos próximos anos.
Não é uma tarefa tão difícil. Já houve época que nem se podia escolher.