Jornalismo, ponto e contraponto
Data: 03/01/2026 12:45
Sábado, 3 de janeiro de 2026. Acordo com notícias vindas de Caracas. Os EUA bombardeiam e capturam Maduro, presidente da ditadura venezuelana. Vídeos feitos por moradores mostram bolas de fogo das explosões cortando o céu. Nunca tive a sensação de que uma guerra estivesse tão próxima de casa. Jornais dão conta de que o governo americano reconheceu o ataque e que levou o então presidente venezuelano para ser julgado nos Estados Unidos. Esse movimento já era previsto há algumas semanas.
Sigo rolando a tela do telefone celular. Páginas narram que venezuelanos receberam os primeiros raios de sol com alegria — tanto pelo novo dia que se inicia quanto pela captura do ditador. De certa forma, é compreensível esse sentimento, vistas as condições às quais os cidadãos daquele país estão submetidos pelo regime ditatorial.
Páginas de “analistas” no Instagram acreditam que a interferência norte-americana tem como motivação as reservas de petróleo da Venezuela, que não são poucas. Nos comentários dessas publicações, brasileiros se mostram divididos. Uns comemoram. Outros criticam e lembram da invasão americana ao Iraque, alguns anos atrás, quando médio-orientais também celebraram a ação e, posteriormente, com a saída das forças americanas, o país acabou dominado por grupos terroristas.
Daqui do Brasil, vejo em uma rede social um conterrâneo comemorando, em sua postagem, o resultado da operação e ainda desejando que o Brasil seja um dos próximos a passar por situação semelhante. Esse patriota vive atualmente em Portugal. Pergunto-me se o tal cidadão manteria desejo tão ambicioso caso estivesse aqui, na mira da ogiva.
A operação da madrugada, além de tudo, levanta um questionamento já colocado em pauta em outros momentos: países sul-americanos estão preparados para ataques de grandes potências? Sabemos que a ideia de que o Brasil jamais desenvolvesse plena capacidade bélica sempre foi fortemente defendida pelos Estados Unidos.
Javier Milei, que recebeu socorro financeiro dos EUA, aplaudiu a operação. Lula, em meio a tratativas de redução de tarifas, considerou o episódio uma afronta.
E, afinal, de que lado estamos: do venezuelano, em situação precária e sob ditadura, que agora se vê “livre”; do ditador retirado do poder; ou do governo americano, que invade uma nação sem interesses claramente esclarecidos?
Aguardemos os próximos movimentos no tabuleiro do poder…
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