Boa noite, 19 de Fevereiro de 2026
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Jornalismo, ponto e contraponto

Por: Marcos Lima

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Jornalista, documentarista e produtor cultural. Nesta coluna você encontra o jornalismo propriamente dito, como também o ponto e o contraponto dos fatos.

De que lado estamos?


Data: 03/01/2026 12:45

Sábado, 3 de janeiro de 2026. Acordo com notícias vindas de Caracas. Os EUA bombardeiam e capturam Maduro, presidente da ditadura venezuelana. Vídeos feitos por moradores mostram bolas de fogo das explosões cortando o céu. Nunca tive a sensação de que uma guerra estivesse tão próxima de casa. Jornais dão conta de que o governo americano reconheceu o ataque e que levou o então presidente venezuelano para ser julgado nos Estados Unidos. Esse movimento já era previsto há algumas semanas.

Sigo rolando a tela do telefone celular. Páginas narram que venezuelanos receberam os primeiros raios de sol com alegria — tanto pelo novo dia que se inicia quanto pela captura do ditador. De certa forma, é compreensível esse sentimento, vistas as condições às quais os cidadãos daquele país estão submetidos pelo regime ditatorial.

Páginas de “analistas” no Instagram acreditam que a interferência norte-americana tem como motivação as reservas de petróleo da Venezuela, que não são poucas. Nos comentários dessas publicações, brasileiros se mostram divididos. Uns comemoram. Outros criticam e lembram da invasão americana ao Iraque, alguns anos atrás, quando médio-orientais também celebraram a ação e, posteriormente, com a saída das forças americanas, o país acabou dominado por grupos terroristas.

Daqui do Brasil, vejo em uma rede social um conterrâneo comemorando, em sua postagem, o resultado da operação e ainda desejando que o Brasil seja um dos próximos a passar por situação semelhante. Esse patriota vive atualmente em Portugal. Pergunto-me se o tal cidadão manteria desejo tão ambicioso caso estivesse aqui, na mira da ogiva.

A operação da madrugada, além de tudo, levanta um questionamento já colocado em pauta em outros momentos: países sul-americanos estão preparados para ataques de grandes potências? Sabemos que a ideia de que o Brasil jamais desenvolvesse plena capacidade bélica sempre foi fortemente defendida pelos Estados Unidos.

Javier Milei, que recebeu socorro financeiro dos EUA, aplaudiu a operação. Lula, em meio a tratativas de redução de tarifas, considerou o episódio uma afronta.

E, afinal, de que lado estamos: do venezuelano, em situação precária e sob ditadura, que agora se vê “livre”; do ditador retirado do poder; ou do governo americano, que invade uma nação sem interesses claramente esclarecidos?

Aguardemos os próximos movimentos no tabuleiro do poder…

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